Audiência na Câmara dos Deputados: INB defende que presença de urânio em poço de Lagoa Real tem origem natural

Quinta / 22.10.2015

Por Redação Sertão Hoje

O representante da INB esclareceu que os exames foram feitos a pedido do Sr. Osvaldo, e que o poço não está na área de influência da unidade da INB

As Indústrias Nucleares do Brasil – INB, a Secretaria de Meio Ambiente da Bahia e até mesmo o representante do Movimento Paulo Jackson afirmaram durante audiência promovida nesta terça-feira (20) pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, em Brasília, que a presença de urânio na água do poço situado no sítio do Sr. Osvaldo Antônio de Jesus, em Lagoa Real, na Bahia, é natural e não foi causada pelas atividades da empresa.

O representante da INB, Pedro Luís dos Santos Dias, esclareceu durante a audiência que os exames foram feitos a pedido do Sr. Osvaldo, e que o poço não está na área de influência da unidade da INB: “Com a análise que nós fizemos podemos afirmar que a ocorrência é natural”.

Ele explicou como são as atividades da empresa na região, que possui licenciamento ambiental concedido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e licenciamento nuclear, pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). “Para mantermos essas licenças e autorizações é necessário cumprir programas como monitoramento ambiental, recuperação de áreas degradadas, gerenciamento de resíduos sólidos e medidas relacionadas à atmosfera”, explicou.

O secretário de Meio Ambiente do Estado da Bahia, Eugênio Spengler, enfatizou que todas as condicionantes e normas de licenciamento ambiental são cumpridas pela INB. “Os resíduos de urânio encontrados no poço não são fruto de ação da indústria. Os resíduos encontrados são da natureza”, declarou, lembrando que a região é uma província uranífera: “O urânio está lá, está naquele solo, naquela rocha, é natural que ocorra a presença de urânio na água”.

O coordenador geral de Mineração do IBAMA, Jonatas Trindade, disse que de acordo com as análises feitas pelo órgão não existem, até o momento, elementos que indiquem o descumprimento de condicionante da licença de operação da unidade da empresa em Caetité.

O dirigente sindical Lucas Mendonça dos Santos, que representou a ONG Movimento Paulo Jackson na audiência, também afirmou acreditar que as atividades da INB não são responsáveis pela presença de urânio no poço do Sr. Osvaldo. “A INB já mostrou que são bacias diferentes, então dificilmente a atividade da empresa terá contaminado esse poço específico”, disse. Mas ele colocou em dúvida a atuação do IBAMA e citou um relatório de um laboratório independente francês, Criirad, que teria apontado, segundo Lucas, que o “monitoramento ambiental é totalmente inconclusivo e precário”.